Todo o percurso dos dez andares para baixo foi feito em silêncio. Paramos no térreo nós, ficaram eles no elevador. Caminhamos lentamente até a catraca do prédio, onde registramos nossa saída para o almoço, e foi apenas ao sair na rua que o mais velho mudou de postura e se lançou ao assunto.
- Meu Deus do céu, o que é que foi aquilo, Fabiano?, eu nem consegui respirar. A mulher hoje estava um espetáculo.
- Meu Deus do céu, o que é que foi aquilo, Fabiano?, eu nem consegui respirar. A mulher hoje estava um espetáculo.
Todos fizemos que concordamos e os três então se animaram a discutir sobre as mulheres com quem já tinham trabalhado, como aliás era bastante comum quando saíam apenas homens para um almoço de negócios; era como se esse assunto comum criasse uma certa intimidade entre os participantes da conversa, uma confiança de que se estava tratando entre homens afinal de contas. Às vezes inclusive saíamos junto com uma secretária ou subordinada e apenas eu me mantinha calado enquanto os outros faziam esse tipo de comentário, e isso até que alguém estranhasse o silêncio e me interpelasse, normalmente do jeito mais natural: - E esse aí, gosta de mulher também? A pergunta era sempre dirigida ao Fabiano, que se punha então a contar alegremente como eu tinha vindo do interior havia muito pouco tempo e era de fazer e não de falar. Então normalmente todos riam e se punham a contar histórias de quando tinham a minha idade ou até mesmo histórias recentes, e eu apenas fazia o meu papel de jovem constrangido e me limitava a dar risinhos de cumplicidade. Desta vez, porém, foi o próprio Fabiano quem me colocou na história.
- Pois vejam que é o Gabriel quem vai se dar bem: é ele quem mais vai trabalhar com ela se a gente fechar esse contrato.
No mesmo instante os outros dois me olharam fixamente, e eu consegui apenas empalidecer. O mais velho foi quem prosseguiu:
- Olhe, Fabiano, que nós vamos fazer um acordo: nós assinamos o contrato, mas você tem que prometer colocar essa mulher em todas as reuniões. Acho até que vou ligar pros nossos advogados e pedir pra incluir essa cláusula, hehe, como coisa obrigatória: a Contratada fica obrigada a levar sua advogada a todas as reuniões com a Contratante sob pena de nulidade do presente contrato. Está bom assim? Pode até mandar lá pros suíços que, olhe, estou certo que eles vão aprovar na hora o contrato também.
O Fabiano sorriu: - Pois não precisa perguntar pra suíço nenhum, e nem botar nada no contrato. Fico eu aqui solenemente responsável por garantir a presença dela em cada reunião com os senhores.
O resto do almoço transcorreu mais ou menos da mesma forma, com brincadeiras e até a criação de um apelido pra que pudéssemos falar dela sem sermos notados: o mais novo contou de uma história que teve quando viajou a trabalho pra Espanha e acabou saindo com uma dançarina de flamenco, notando como a advogada tinha mesmo esse jeito de espanhola do sul, e o Fabiano respondeu que ela era mesmo filha de imigrantes mas ele não sabia muito bem de onde. O mais velho disse então caindo na gargalhada que ela deveria ficar conhecida como a Andaluza, e se pôs a simular cláusulas do contrato mencionando que a Contratada deveria ser sempre representada pela sua advogada fulana de tal, entre parênteses, Andaluza.
O mais novo observou: - Andaluz pra mim é raça de cavalo!, e o mais velho disse alguma coisa como que precisava então começar a entender mais de cavalo. Eu então lembrei que um tio meu criava cavalos, e o mais novo retrucou: - Eita, Fabiano, que de cavalo o menino entende! Vamos ver se daqui até o fim dessa história ele começa a entender de mulher também!
Pagamos a conta e voltamos mais ou menos no mesmo clima, conversando ora sobre mulheres, ora sobre cavalos, ora um pouco de cada coisa. À tarde tivemos uma outra reunião, onde acertamos valores e condições de entrega do equipamento, e foi só mais à noite, depois de termos marcado a reunião do dia seguinte, que o Fabiano veio me falar sobre o meu trabalho dos próximos meses.
- Pois vejam que é o Gabriel quem vai se dar bem: é ele quem mais vai trabalhar com ela se a gente fechar esse contrato.
No mesmo instante os outros dois me olharam fixamente, e eu consegui apenas empalidecer. O mais velho foi quem prosseguiu:
- Olhe, Fabiano, que nós vamos fazer um acordo: nós assinamos o contrato, mas você tem que prometer colocar essa mulher em todas as reuniões. Acho até que vou ligar pros nossos advogados e pedir pra incluir essa cláusula, hehe, como coisa obrigatória: a Contratada fica obrigada a levar sua advogada a todas as reuniões com a Contratante sob pena de nulidade do presente contrato. Está bom assim? Pode até mandar lá pros suíços que, olhe, estou certo que eles vão aprovar na hora o contrato também.
O Fabiano sorriu: - Pois não precisa perguntar pra suíço nenhum, e nem botar nada no contrato. Fico eu aqui solenemente responsável por garantir a presença dela em cada reunião com os senhores.
O resto do almoço transcorreu mais ou menos da mesma forma, com brincadeiras e até a criação de um apelido pra que pudéssemos falar dela sem sermos notados: o mais novo contou de uma história que teve quando viajou a trabalho pra Espanha e acabou saindo com uma dançarina de flamenco, notando como a advogada tinha mesmo esse jeito de espanhola do sul, e o Fabiano respondeu que ela era mesmo filha de imigrantes mas ele não sabia muito bem de onde. O mais velho disse então caindo na gargalhada que ela deveria ficar conhecida como a Andaluza, e se pôs a simular cláusulas do contrato mencionando que a Contratada deveria ser sempre representada pela sua advogada fulana de tal, entre parênteses, Andaluza.
O mais novo observou: - Andaluz pra mim é raça de cavalo!, e o mais velho disse alguma coisa como que precisava então começar a entender mais de cavalo. Eu então lembrei que um tio meu criava cavalos, e o mais novo retrucou: - Eita, Fabiano, que de cavalo o menino entende! Vamos ver se daqui até o fim dessa história ele começa a entender de mulher também!
Pagamos a conta e voltamos mais ou menos no mesmo clima, conversando ora sobre mulheres, ora sobre cavalos, ora um pouco de cada coisa. À tarde tivemos uma outra reunião, onde acertamos valores e condições de entrega do equipamento, e foi só mais à noite, depois de termos marcado a reunião do dia seguinte, que o Fabiano veio me falar sobre o meu trabalho dos próximos meses.